terça-feira, 11 de setembro de 2007

MENSALÃO NO PSDB?

Não. Isto é impossível. Mensalão é coisa do PT. Será? Este, com certeza é o pensamento da maioria das pessoas que dependem dos noticiários da grande mídia brasileira, ou seja, a maior parte da população brasileira para estarem "informadas". E quanto à notícia do título, sim ela é verídica. Segundo o site Novojornal.com, o mensalão do PSDB é "devastador" e pode atingir até 70 personalidades política se empresários. Pois bem, esta notícia não me surpreende nem um pouco, pois pessoas desonestas infestam todos os níveis da sociedade, e por conseqüência, todos os partidos políticos. O que me surpreende é o fato de que a suspeita de corrupção no partido A seja motivo de estardalhaço, com direito a execração em praça pública de supostos envolvidos, e no partido B nada se quer é divulgado. A razão dessa diferença de tratamento eu gostaria de saber. O governo concede e renova concessões públicas para os canais de TV e rádio. Dentre os diversos deveres destes canais está o de ser o difusor de informações, com uma devida parcela de imparcialidade. Segundo o jornalista João Freire – revista Fórum, julho de 2007 - " a maioria da população desconhece que rádios e TV's funcionam sob concessões públicas e, por isso, têm obrigações a cumprir. Como não sabe destas obrigações, a sociedade não exige que os veículos respeitem o direito humano à comunicação". João Freire indaga: "Se as emissoras de rádio e TV não cumprem a Constituição, por que continuam com as concessões? "Diariamente, a mídia impede a pluralidade a prática a censura. As grandes redes decidem quais assuntos serão vinculados e tentam impor sua opinião, travestida de informação à população. Há na sociedade brasileira uma outra divisão de classes: os "sem-mídia", maioria esmagadora da população que vive sem acesso à informação e sem voz, escravos do "coronelismo midiático" e os "com mídia", cerca de 10% da população que além da TV, podem ler jornais, livros e acessar a internet. Enfim, obter informações de fontes distintas para que as pessoas tenham uma compreensão mais clara dos acontecimentos. Alguém pode dizer que não se pode cobrar imparcialidade pois esta não existe. Pois bem. Mas é tão difícil pedir que a grande mídia brasileira apenas divulgue os fatos e notícias de maneira mais igual? Até porque, tenho certeza que a grande maioria das pessoas que lerem este artigo não sabem que o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin está inelegível no estado de SP durante os próximos 8 anos pois suas contas não foram aprovadas, inclusive com suspeitas de irregularidade. Não deveríamos saber disto também?
colunista
Leonardo Lemes

10 comentários:

Anônimo disse...

Leonardo:

Parabéns! Concordo com tuas críticas diante de tamanhas falcatruas. Hoje a grande imprensa está enfocando o caso Renan Calheiros e, fazendo uso de sua “neutralidade”, o apresenta como representante do governo Lula. Entretanto, só para lembrar: ele é do PMDB (o mesmo de pessoas idôneas como Joaquim Roriz, Pedro Simon, José e Roseana Sarney, Gerson e Rita Camata (Lei Camata), Jáder Barbalho, Eliseu Padilha, Ibsen Pinheiro e por aí vai...)

Enquanto isso, conforme enviei pra todos, aqui no RS, a “dama enferrujada” vai detonando com o pequeno agricultor ao iniciar o desmonte da Emater. Em SP, o prefeito reduz drasticamente a quantidade de nutrientes para a sopa dos alunos nas escolas (eles não precisam se alimentar direito mesmo; vai que eles acostumem...)
Estas notícias são pouco (ou nem) comentadas pelos grandes órgãos da imprensa. A mídia televisiva, que é a fonte de notícias mais utilizada pela população, praticamente se omite diante de tamanhos descalabros. É preferível mostrar o presidente desfilando em uma carruagem na Suécia como que transmitindo uma sensação de que “agora mesmo ele se esqueceu do seu povo. Só pensa em aparecer...”

Há cerca de um ano, eu participei de um evento aqui no Unilasalle sobre “informação e poder na sociedade moderna”. Alguns dos dados que colhi na época revelam a ligação entre políticos e mídia (algumas vezes explicitamente, outras nem tanto):

Grupos de abrangência nacional:
• Maiores redes de TV --> Globo, Record, SBT e Bandeirantes;
• outros poucos grupos: Editora Abril (que domina 69,3% do mercado de revistas e 14% do mercado de TV por assinatura); O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo (forte presença no mercado de jornais, representando, apenas estes dois, cerca de 10% da tiragem de todos os jornais diários existentes no país);

Grupos de abrangência nacional mais restrita e regional:
• Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil (presença econômica ou política expressiva);
• RBS e Jaime Câmara, entre outros (fortes grupos regionais).

Famílias concessionárias:

Família Marinho: 32 TVs e 20 rádios;
Família Saad: 12 TVs
Família Sirotsky: RS/SC
Família Collor: Alagoas
Família Jereissati: Ceará
Famílias Alves, Maias, ACM, José Sarney: nordeste;
Família Barbalho: Norte.

Pra bom entendedor...

Abraço, Paulo.

Paula Domingues disse...

Pois é... e agora eu aproveito para fazer uma pergunta que desde que eu me deparei com ela não paro mais de pensar nisso. Foi em uma das primeiras aulas do Estágio I que me deparei pela primeira vez com ela, e tenho certeza que será para o resto da vida: Para que ensinar geografia?? (em sala de aula) Pois é... acho que está em nossas mãos um dos caminhos para mudar um pouco a realidade que vemos hoje no Brasil e até no mundo, pq corrupção, falata de moralidade não existe apenas aqui no País Tropical não!!!!
Pois é minha gente... há pouco mais de 15 dias em sala de aula mew dei conta de uma coisa: as crianças, os estudantes, não estão sendo preparados para "pensar, refletir"... Estão acostumados a receber tudo mastigado, pronto e apenas reproduzir!!! Parece que estou falando de 20 anos atrás??!!Não, isto é atual século 21!!!!!
Gente, futuros prof. de Geografia, nunca esqueçam desta pergunta: PARA QUE ENSINAR GEOGRAFIA????

BJOOOOSSSS
LÉO PARABÉNS!!!!!

Paula

IMPERATRIZ DONA LEOPOLDINA disse...

Concordo com a crítica, pois só e divulgado o que interessa e em letras garrafais. Infelizmente o povo quando tem acesso a informação só lê as manchetes, pois ainda não existe o hábito da leitura crítica, mesmo entre as pessoas mais esclarecidas, pois vivemos numa sociedade egoísta, e o povo que é o mais atingido, não têm acesso às informações sob diversas óticas e se contenta com o que houve, muitas vezes opinando sobre o que não sabe com profundidade.E hoje estou mais certa disso. Pois o Senado que absolveu Renan Calheiros foi eleito pelo povo, que têm memória curta e não se interesssa pelos atos das pessoas que elegeu, e, nas próximas eleições certamente os reelegerá, para dar continuidade ao processo de corrupção que se alimenta da ignorância do povo.
Parabéns.Cláudia Beatriz

Anônimo disse...

Pois é, Paula... Acho que a resposta para tua inquietação é mais ou menos a seguinte: se não for por ti (ou outras pessoas com uma cabeça que nem a tua) nós correríamos riscos ainda maiores de piorar a situação. O caso é que a estrutura educacional que os governos foram criando ao longo dos últimos anos está mostrando, aos poucos, seus resultados. O produto gerado por este sistema perverso é este: pessoas mal-educadas, no sentido estrito do termo. Assim, um ciclo vicioso vai perpetuando-se: maus profissionais ensinam mal e formam outros tantos alunos fracos que, de uma forma ou outra, ingressam no ensino superior sem base e acabam formando-se com deficiências, fechando o ciclo e o realimentando.
Por outro lado, em certas áreas, o ensino ainda pode ser bom... Alunos de colégios bons (particulares) podem ingressar em boas universidades (públicas), em geral, em cursos elitizados. Esse novo ciclo possui um caráter mais corporativista. É difícil (acontece, é verdade, afinal tem louco pra tudo) ver alguém, hoje em dia, escolher uma profissão por “vocação” e não pelo status e/ou resultado financeiro. Assim, quem é o maluco que vai optar por fazer uma licenciatura se pode formar-se médico ou advogado, ainda mais a partir das safadezas realizadas por governos que nem o do nosso estado?
O pior é que tenho constatado que, mesmo em cursos da área das humanas e sociais, muitos alunos pensam “em ganhar dinheiro” antes do que em sua “vocação” e, apesar de serem empregados, reproduzem um perfil burguês muitas vezes piores que seus patrões...
Bem, mas voltando para teu questionamento, digo: TU (NÓS) TENS(MOS) O DEVER DE MUDAR!!! Ou seja, como está na camisa que fizeste – e estou usando hoje com sucesso – “Temos tudo para construir uma nova sociedade”... Esta nova estrutura passa pela escola e pelos “bons” professores.
Abraço, Paulo Fitz.

Anônimo disse...

Infelizmente temos uma minoria da população com acesso a informações digitalizadas, TV, dentre outros meios de comunicação, e isto certamente vem a nos mostrar que não mudou muito a situação desde o tempo da ditadura, pois "pessoas boas, são pessoas ignorantes e sem estudo" segundo a visão política.
Agora, como podemos distinguir até que ponto é bom ou não ter uma televisão em casa ?, as noticias são manipuladas, somente mostram o que os interessa e isso, realmente não é de bom grado a quem gosta da verdade e está preocupado com o futuro.
Volto a retomar a pergunta da Paulinha, PARA QUE ENSINAR GEOGRAFIA ? Para que ?

Geologia Geral e Gestão Ambiental - Unilasalle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Geologia Geral e Gestão Ambiental - Unilasalle disse...

Caro Leonardo:

Discutir política pode significar maturidade acadêmica e, certamente, indica o grau de interesse da classe pelos rumos da Nação. Mas quando se usa um meio de comunicação para expressar uma manifestação pessoal e unilateral, como esta apresentada por você, pode significar manipulação de "verdades". Aí tu poderás dizer: "Mas isso ocorre em toda a imprensa; os colunistas são formadores de opinião". Concordarei contigo, porque, neste caso, estão ali para isso, seguindo uma postura política de uma rede jornalística. Até aí, tudo normal. E são pagos para isso.

Por outro lado, pessoas instruídas não têm a inocência dos "excluídos" e sabem que as falcatruas não são "privilégio" de um ou outro partido político. No Brasil, então, a falta de ética política e malandragem são elevadas a um fator exponencial, comparado com outros países, em todos os tempos. Na atualidade, os "verdadeiros" do PT, tão ciosos pela moralidade política de há tão poucos anos, devem se remoer de vergonha ao analisarem fatos tão marcantes do nosso recente passado e presente.

Questiono se este espaço não seria melhor aproveitado para discutir questões relevantes para a Geografia. OK, existe a Geografia Política. Mas, então, vamos discutir propostas de como agir de forma cidadã e, principalmente, agir dessa forma. Se não fizermos isso e ficarmos apenas no blá blá blá da retórica demagógica, não contribuiremos para nada e seremos apenas mais uma voz lamentando (ou esbravejando) no vazio.
Um grande abraço!
Sydney Sabedot

Paula Domingues disse...

Bom... ao meu entendimento, a Política está inserida em todos os aspectos na Geografia, não falo de uma política partidaria, mas com vistas a cidadania, ora, se o objeto de estudo da geografia é o "espaço" e neste espaço a sociedade inserida nele não vejo com ofazer geografia separada da política!!!! Se não for isso estaremos apenas fazendo um estudo (não menos importante) de ciências naturais........Porém, acho que a idéia dos que aqui estão debatendo é a outra geografia sim!!

um bj
Paula

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Concordo com o Profº Sydney e com o Profº Fitz, que freqüentemente nos relembra em aula, sobre a importância de não SÓ refletirmos. Os questionamentos, debates e enfrentamento de idéias, são muito importantes, principalmente para reavaliarmos aquilo que temos como valores ou ideologias. Porém, apesar de toda nossa vontade de mudança, ainda estamos presos ou afeitos a este perfil de cidadão inerte (pelo menos até o momento), pois temos consciência das pertinentes "falhas" governamentais, mas não usamos devidamente a liberdade adquirida para protestarmos contra isso.

Paula, minha opinião sobre o teu questionamento, é que já temos um dever inicial ao escolher a Geografia: de nos transformar em legítimos combatentes deste tipo de regência social, que não tem por propósito instruir os indivíduos à criticidade e ao expressionismo, e de começarmos agora com pequenos gestos de protesto, protesto divulgador e alertante, e então prolongar nossa atuação democrática como educadores, onde adquiriremos maior espaço para divulgação de ideologias socias e esclarecimento da próxima geração cidadã que, muito provavelmente, também será submetida a tamanhas injustiças e ofensas. Então, mãos à obra!


Parabéns Léo! tua iniciativa já manifesta a inquietude social diante do regime atual, e a necessidade de transformação iminente.