Apesar de estar afastado do curso, continuo acompanhando o que acontece no curso e dando uma passada no blog do curso de Geografia do Unilasalle e gostaria de expressar aqui minha opinião.
Acho que idéias e posições políticas são saudáveis, no entanto, usar espaço acadêmico para servir de réplica para ataque a partidos políticos acho que tira completamente o motivo de ser do curso que nos ensina a pensar e não somente a repetir idéias que escutamos em reuniões políticas.
Aliás, o partidarismo continua sendo a grande praga do mundo acadêmico. O interesse em aparecer para um partido usando a faculdade para isso, retira o interesse na melhoria do curso e transforma numa barreira de defesa de conceitos, que não acho corretos nem incorretos.
Temos mostra nesta faculdade no DCE que está sob júdice de como a utilização de ferramentas acadêmicas em prol da política pode ser negativo.
Vejo que a exposição de idéias é livre, no entanto, sinto que o discurso foge as razões acadêmicas e torna-se ideológico e expressa uma única idéia.
A Geografia serve para analisar o espaço e a sociedade e como todos iniciais nas ciências geográficas acho que uma idéia política, que como todo e qualquer ideologia política está sofrendo os traumas que o poder traz, não necessita de um folhetim eletrônico de divulgação.
Estamos caindo em lugares comuns como "o capitalismo é o culpado da degradação ambiental" como se não houve devastação em países comunistas ou ainda, a direita é a culpada por tudo.
Os partidos políticos brasileiros estão numa saco de gato tão comum, que é possível coligações estaduais inimagináveis, a corrupção não é descoberta do PT, nem a fórmula foi copiada do PSDB.
Não existe um discurso ideológico de direita ou de esquerda, o que existe é o discurso de governo e de oposição. O que hoje é completamente inaceitável para a oposição, daqui quatro anos torna-se aceitável para a manutenção da saúde econômica do país.
É um discurso ingênuo ou alienado dizer " que o meu partido quando chegar no governo vai ser diferente", existem uma seqüência de compromissos e regras que já estão sedimentadas nas veias entupidas de sujeira de Brasília. Creio que o nosso atual presidente realmente tinha idéias e intenções boas para o Brasil. Porém ao chegar ao poder notou que não era tão simples colocar em prática suas ideías.
Este é o único ponto que na realidade me decepcionou neste governo, pois quanto à questão econômico e políticas de governo, imaginava que o desempenho seria bom e que o Brasil iria crescer, por méritos de muitos acertos na economia e pelo contexto atual da economia mundial, afinal há sempre uma teia de ligações nos acontecimentos da sociedade.
Mas voltando, a decepção, Lula sempre querido e conta com uma aceitação popular muito boa porque sempre disse com honestidade o que pensava e o que estava acontecendo com seu partido quando os problemas eram menores. Agora que no poder, descobre que o sistema não permitiria fazer as mudanças que queria e que descobriu aliados envenenados pelo poder acho que deveria fazer um discurso franco e claro. Vou fazer o melhor que o sistema me permitir e sei que existem pessoas que não são honestas e estas estão sendo retiradas do governo.
Ninguém se surpreenderia com a corrupção descoberta, pois sabemos que os governos anteriores tiveram os casos de corrupções e o governo atual tem a seu favor uma preocupação social que não existia no anterior. A surpresa seria que o discurso de "cortar na carne" usado em momentos de campanha e dentro dos sindicatos, onde se forjou o PT seria usado no governo também o que certamente daria a este governo uma qualidade nunca antes vista, o de manter o mesmo discurso sendo oposição ou governo.
Caros, entristece-me ver que o curso de Geografia do La Salle esteja caindo no lugar comum que impera em irmãos de outras faculdades, um discurso de esquerda cego, onde a primeira pergunta não é se conheço Milton Santos ou Ab
Saber, mas sim em qual partido eu estou filhado.
A Geografia é por excelência uma ciência de análise, se apenas um lado da história for visto, se somente a defesa canina de uma posição for feita como será formada a idéia crítica? Devemos levar em conta o contexto histórico, social e político e somente depois, posicionarmos, ou seremos massas de manobra ou copiadores.
Lembrem-se um dia formaremos alunos e esta formação não signifca fazê-los pensarmos como nós e sim fornecer as ferramentas para que após ver lados positivos e negativos de uma questão posicionem-se de modo crítico.
"A caravana não pára enquanto os cães ladram"
aluno
Rodrigo Machado