sexta-feira, 5 de outubro de 2007

AMIGOS:

Dado o sucesso do Blog do Cagea, decidi contribuir com algumas idéias políticas. Sobretudo porque percebo o crescimento do desejo de manifestação acontecendo entre nós. E também porque o Blog é mais um espaço para isso, e, portanto, precisa ser utilizado.

Acredito que apenas faz mal à Geografia a insistência em se interpretar a realidade política por meio do emprego dos velhos conceitos de direita e esquerda.

Para refrescar um pouco a memória: sabem de quando vêm essas noções? Da Revolução Francesa. Ano de 1789! A Revolução Francesa dividiu-se em 6 fases: Estado Geral, Assembléia Constituinte, Convenção, Diretório, Consulado e, depois, Império, com Napoleão Bonaparte. Durante o Estado Geral, os de direita eram os que tomaram posição pelo rei, e os de esquerda pela burguesia. Mais tarde, os termos direita e esquerda passaram a designar posições conservadoras e populares, respectivamente.

O fato é o seguinte: esses conceitos há muito estão defasados, e não há sentido em empregá-los na nossa realidade. Já dizia o falecido Tancredo Neves: a classe política ainda permanece debatendo as idéias dos Iluministas, de Rousseau, de Montesquieu, quando precisaria hoje se debruçar sobre teses mais modernas, como as de Keynes.... [que, cá pra nós, também já está velhinho].

Entendo que, atualmente, essa divisão bipolarizante apenas prejudica nossa leitura da realidade, podendo, de lambuja, se tornar razão para dificultar o relacionamento interpessoal. O que é péssimo para a Geografia, que, ao se dividir, fracassa na busca por alcançar uma linguagem minimamente comum e perde força justamente num campo em que ela almeja lograr autoridade.

De mais a mais, mesmo que se force a barra; mesmo que se insista em empregar esses termos para separar quem é pelo privado de quem é pelo social, pergunto: pode alguém viver apenas em favor do interesse privado? Ou ser exclusivamente pelo social? A leitura de esquerda e direita, tal como se apresenta, simplesmente empacota o indivíduo, e isso é complicado de admitir.

Pelo menos para mim, que não costumo classificar as pessoas, mas, sim, entendê-las nas suas circunstâncias.

São idéias muito singelas, mas com uma motivação profunda, registradas apenas para provocar alguma discussão e fortalecer a nossa integração.

Grande abraço a todos.
Prof. Leandro


2 comentários:

Anônimo disse...

Caro Leandro, alunos e colegas:

Em primeiro lugar, gostaria de elogiar o texto do prof. Leandro. Está claro, conciso e bem trabalhado. Entretanto, gostaria de discordar do mesmo em alguns pontos e apontar algumas questões:
1. Não vejo problema em discutir temas políticos via “velhos jargões”. Acho sim, o espaço do blog, ser ótimo para tal;
2. De igual sorte, no meu entender, apesar de sua “caducidade”, tais jargões ainda demonstram bem certas posturas políticas. Se não, vejamos: como caracterizar o perfil de um Onix Lorenzoni? E de um Lasier Martins? Em contrapartida, temos um Frei Beto, um Leonardo Boff...
3. Determinados segmentos da sociedade afirmam que os ideais socialistas padeceram com a queda da ex-URSS e com eles os conceitos de “esquerda” e “direita”. Eu não vejo assim, pois constato, p. ex., a persistência dos cubanos e a coragem dos venezuelanos e bolivianos em tentar enfrentar o capitalismo esmagador;
4. Minha tese baseia-se em certos aspectos intrínsecos à dualidade do ser humano: masculino x feminino; gremista x colorado; maragato x chimango; petista x anti-PT e por aí vai... Não que existam outras posturas, mas as hegemônicas prevalecem e acabam por rotular (ou mascarar) os interesses e entendimentos políticos de cada um. Assim, é comum observar-se políticos e intelectuais “de esquerda” atacarem – muitas vezes de forma odiosa, a exemplo de posturas “de direita” – o governo Lula também “de esquerda” para muitos;
5. Os debates sobre a questão do aquecimento global revelam posicionamentos assemelhados. Há os que procuram livrar o ser humano de qualquer culpabilidade pela situação (direita?). Por outro lado, existem aqueles que praticamente crucificam o homem (esquerda?);
6. Nestes aspectos, devo concordar com o prof. Leandro: não se pode simplesmente assumir uma ou outra posição, motivada muitas vezes por paixão, sem ceder, sem abrir espaços para um consenso;
7. Poderíamos, talvez, pensar na criação de novas categorias. Na Europa, em geral, se fala em “progressistas” x “conservadores”, mas quem seria quem? Nos EUA temos “democratas” x “republicanos” (sendo que nenhum pode ser considerado “de esquerda”) mas que representam forças um tanto antagônicas em certos aspectos;
8. Mas quando se pensa em termos de Fidel x Bush? Lula x FHC? Como “rotular”?
9. É, não sei não... Acho que os ultrapassados jargões “esquerda” x “direita” ainda refletem melhor determinadas posturas políticas.

Abraço, Paulo.

Anônimo disse...

Ótimas as contribuições de nossos mestres. Fico muito contente pelo fato do blog estar causando repercussão. Parabéns ao Leo Maurer, o idealizador. Acredito que a discussão política é muito válida sim. Parece chover no molhado né, mas temos uma cadeira de Geografia Política... Abraços!
Leonardo Lemes