O quadro na Venezuela, guardado o distanciamento dos contextos históricos distintos e das realidades políticas diferentes, tem muitos pontos comuns com o Chile de Allende, primeiro marxista assumido eleito democraticamente presidente da república na América Latina. Naquela ocasião não faltaram pessoas para chamar o presidente chileno de populista, aliado de um "ditador" comunista, louco, desequilibrado... muitos, entre esses, viam ameçados seus esquemas de exploração, suas riquezas materiais e, com certeza, outros tantos mais, que não tinham nada a perder, mas eram refratários às mudanças simplesmente por equívocos e crença alienada em tudo que os vizinhos do norte mandaram publicar, falar nos meios de comunicação para criar um clima de insegurança e medo, naquela ocasião. Como será que essas pessoas que temiam as "loucuras" de Allende se sentiram, quando se instalou no Chile o quadro de horrores que foi a era Pinochet, as torturas, os crimes brutais? Apoiado incondicionalmente pelos EUA.
Agora, o rei Juan Carlos da Espanha manda Hugo Chavez calar a boca, e muita gente comemora. Quem comemora? Quem não sabe que a Espanha dizimou os indígenas do caribe e de sua parte na America. Que sugou e desmatou o que pôde de sua vegetação. E hoje esse reizinho do alto de seu trono, não suporta ver um presidente eleito com a maioria esmagadora do povo, que sobreviveu a um golpe de estado da oposição conservadora, querer instaurar uma sociedade socialista inspirada no líder Simon Bolívar. Ir de encontro as idéias elitistas parece causar erisipela em alguns setores políticos e da mídia. E o reizinho demonstrou isso da maneira mais mal-educada possível. Mas isso é típico da elite burra.
Apenas para concluir, desde minha perpectiva, de quem já viu alguma coisa na vida, creio que tudo gira em torno da idéia de Ditadura - para mim um governo que está no poder contra a vontade do povo. Essa idéia se opõe ao conceito de Democracia eletiva decidida pelo poder econômico, onde as pessoas votam, mas não participam, onde os eleitos atuam em sentido oposto aos desejos de seus eleitores, sem que esses saibam minimamente, analisem ou entendam o que está sendo decidido pelo poder central. As pessoas votam, votam e votam, mas os que mandam no país são sempre os mesmos. Apenas se vende aos "cidadãos" a eterna ilusão do povo no poder. Vivemos essa realidade aqui no Brasil. Como diz a música "É pra rir ou pra chorar" do Gabriel o Pensador - 2001: "O Brasil conseguiu as eleições diretas, mas o povo que vota ainda é semi-analfabeta, o Collor foi eleito e roubou até cansar, o povo deu um jeito de cassar o marajá, mas ele não foi preso e falou que vai voltar!" Poxa e não é que voltou? Por certo, quando essa realidade é transformada, os incomodados que têm capital e sabedoria acumulada para reverter este processo para seu bel-prazer, tentam retornar a uma realidade a eles favorárel desde sempre. Salvador Allende não conseguiu impedir isso. Faço votos que Chavez consiga.
Leonardo Lemes - Colunista






15 comentários:
São situações distintas, mas gostei da comparação. Sem querer ser reducionista, as diferenças começam pelo que segue: o caso chileno é de ordem doméstica, intra-americana, e deu-se numa época em que a guerra fria exigia alinhamento automático com o sistema liderado por um país da América ou com uma ideologia de natureza extra-continental. O da Venezuela, porém, encerra elementos bem mais atávicos, ligados ao processo de exploração e conquista genocida da América pelo Velho Mundo e seus personagens. As feridas que esses causaram ainda estão longe de cicatrizar, e talvez só se curem após a Europa der provas práticas de um arrependimento cabal. Parabéns. Prof. Leandro Lopes
meu comentário será breve,não concordo com alguem que queira se perpetuar no poder alterar a constituição de seu país para que possa elger-se ininterruptamente basta ver a mega manistação de oposição que ocorreu hoje "republica" bolivariana da venezuela me corrija se o nome estiver errado isso é só uma parte breve farei mais comentarios
Em meu entender um dos pontos mais relevantes da matéria reside em ressaltar a importância da necessidade de conscientização do povo latino americano acerca da falsa democracia, parte intrinceca do sistema, que mascara a realidade dos fatos e dificulta para muitos a formação de uma visão crítica consistente.
Um abraço aos leitores.
Deisi Santos da Silva
estudante de geografia
Boa noite companheirada da geografia!!!
Bem Caro Leonardo, vamos tentar expor um idéia, acho muito relevante o movimento criado por Chaves na Venezuela e, que se repetiu sem ordem cronológica na Bolívia, Peru, Equador, Chile, Argentina e o nosso Brasil, todos governos de esquerda. Chega de elites comandando a maioria, o modelo neoliberal que arruinou toda a economia latino americana esgotou-se! De fato não conheço pessoalmente o país, logo não posso me posicionar a favor nem contra certas medidas tomadas por aquele governo, como a reforma na constituição bem como seu proceso eleitoral. Acho sim, que, ele pode se reeleger quantas vezes "o povo quiser", pois ele é soberano para decidir tal fato.
O fato ocorrido na conferência entre ele e o rei, talvez tenha sido um pouco de respeito entre ambas as partes, Chaves não pode sair por aí alfinetando tudo e à todos na condição de Chefe de Estado, bem como um rei se portar de tal maneira.
Só para finalizar, vale lembrar que, uma das condições para ser membro do Mercosul, é que os países membros, têm que serem democráticos e, com a futura entrada dos companheros venezuelanos, parece que não há o que se discutir caro rf_brasil.
um abraço
do companheiro metalúrgico
Pablo
bem como vivemos na democracia temos que escutar a todos assim caminha uma republica democratica mas será chaves um imperialista ele não estara se transformando no que ele tanto combateu?por que quem se perpetua no poder do que deve ser chamado?
ou então o que dizer de um chefe de estado que apoia terroristas e narcotraficantes corrija-me novamente se estou engado por que o que são as FARC....Pablo?
Como comentou o Pablo a falta de educação são de ambos. Temos que analisar com muito cuidado os movimentos esquerdistas. Fazendo um flashback, tudo mundo lembra que Simon Bolívar e seus aliados libertaram diversos países sul americanos do domínio europeu. Este estava engajado em fazer estas nações independentes e livres, mas isso de fato não aconteceu, quando Bolivar estava no poder. Bolívar usufruiu do poder adquirido para o seu benefício próprio, assim como faz Chaves atualmente.
Grande problema não é o modelo político que governa uma nação, e sim as pessoas que o manipulam equivocadamente, seja socialista ou democrático.
Eu estava quieto...
Bem, em primeiro lugar, gostaria de dizer ao Marlon que socialismo não é antônimo de democracia... Isto soa a Diego Mainardi & Cia.
Em segundo lugar, concordo com o Prof. Leandro. As situações são distintas. Vivemos momentos diferentes dos daquela época. As formas de dominar modificaram-se e o capitalismo sustenta-se especialmente, creio, nas conquistas tecnológicas que estamos vivenciando e que, de alguma forma, atingem boa parcela mesmo da população mais humilde (telefone celular, p. ex.). Por outro lado, talvez nunca na história da humanidade, tenha havido tamanho abismo entre classes. É possível que o grande trunfo de Chávez parta desta condição. A Venezuela, assim como outros países latino-americanos seguiu a receita do FMI nos anos 80-90 (privatizações etc.) Quase quebrou (como a Argentina, p. ex.) apesar de todo o petróleo que possui. Assim, justifica-se o surgimento de um cara como o Hugo Chávez que tente dar as cartas do jogo. As pessoas adoram alguém que faça por elas aquilo que elas gostariam de fazer. Basta lembrar do Getúlio, do Perón e por aí vai... Imaginem o "tio Briza" na presidência do Brasil. Como será que ele iria governar? Iria romper com o FMI? Iria fechar a Globo? Iria enfrentar o Bush? Fecharia com o Fidel? Seria o "líder" socialista da América Latina? Como sindicalista, por prudência, o Lula ficou na dele. Acho que a burguesia brasileira esperava que o Lula agisse como o Chávez... E se deu mal; acabou por não ter o que reclamar e ele acabou por ser reeleito. No caso da Venezuela, o Chávez "vai dando os seus peitaços". Só que dessa vez, (plebiscito) não levou... Por pouco, é verdade, mas se ele fosse um pouco mais comedido, com certeza teria ganho. Como todo ser humano, parece que o poder lhe subiu à cabeça e a vaidade foi maior do que sua modéstia. Vamos ver no que vai dar daqui pra frente...
só tenho que concoradar com o amigo paulo por que tem muita gente cega por hugo chavez,fidel castro,che guevara
é muito bonito defendelos daqui do brasil então por que não se mudam pra cuba ou pra venezuela?
Por pura curiosidade e por se tratar este blog do Curso de Geografia, aberto à todos é claro, Sr. rf_brasil poderia identificar-se????
Repito, mera curiosidade, só acho que fica mais elegante dizer o que se pensa mostrando a cara!!!
Paula Domingues
Estudante de Geografia
Trabalhadora
Mas é claro Paula que eu posso me identificar,
me chamo Rafael
trabalho no unibanco aig
tenho 23 anos
não sou estudante de geografia,agora já sabe um pouco sobre minha pessoa.
Bem se aqui fosso um fotolog eu até poderia mostrar minha 'cara"!!!
Obrigada Rafael! Agora sim...
hugo chavez não se contenta quer fazer revoluçao até com o relogio
ao invés de mudar o fuso horario não seria mais facil alterar o horario de trabalho?
Falando em horário de trabalho, é bom lembrar, que redução da carga horária de trabalho de certos setores da Venezuela era pauta da lei habilitante(reforma constituinte),a qual não teve sucesso no referendo..
O que me irrita é que cara faz um baita referendo... e as pessoas insistem em afirmar que Chávez é um ditador.hehe...
Leonardo Gomes
Concordo plenamente com o prof leandro... é irritante....hehehe
Paula
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